quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Educação - Duque de caxias

Livro conta história da mulher que inovou na educação

                    Gutemberg Cardoso com as professoras Martha Rosse e Dalva Lazaroni

“Mate com Angu - A História de Armanda Álvaro Alberto”, o décimo nono livro da escritora Dalva Lazaroni foi lançado oficialmente em Duque de Caxias na noite do dia 7 de dezembro, na Biblioteca Pública Governador Leonel Brizola. A obra é fruto de 20 anos de pesquisa e reúne cerca de 6 mil documentos e fotografias. Ele narra a impressionante trajetória da educadora, que implantou no Brasil as revolucionárias técnicas da italiana Maria Montessori, de quem foi aluna aos nove anos de idade. À frente de seu tempo, ela foi a primeira educadora no país a servir merenda aos alunos.

Armanda Álvaro Alberto era uma aristocrática moradora de Copacabana que decidiu fundar, em 1921, a Escola Proletária de Meriti para filhos de famílias pobres e que, muitos anos depois, foi presa por ordem do carrasco Felinto Muller, no governo Getúlio Vargas, por ligações com o Partido Comunista Brasileiro. Essa escola, que depois teve o nome mudado para Escola Regional de Meriti, conhecida como “Mate com Angu”. A educadora criou também a União Feminina do Brasil e o Círculo de Mães, o primeiro no Brasil que estabeleceria o elo escola-família.

“É uma grande história, que poucos conhecem e o Brasil não pode esquecer”, assinala Dalva, que já teve um de seus livros, sobre Chiquinha Gonzaga, transformado em minissérie de sucesso na TV Globo. A escritora foi criada e viveu em Duque de Caxias por várias décadas, onde ocupou cargos públicos e se destacou no campo intelectual.

O professor Paulo Mainhard saudou os presentes em nome da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes (ADLA), de cujos quadros a escritora faz parte, e que organizou o lançamento com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo do Município. Representando o prefeito José Camilo Zito (PSDB), o secretário Gutemberg Cardoso enalteceu a atuação dessas duas grandes mulheres. “Dalva Lazaroni, primeira vereadora eleita em Duque de Caxias, demonstrou muita coragem ao decidir contar em livro a história de Armanda Álvaro Alberto, uma das mais importantes personagens da nossa história. Parabéns Dalva por mais esse trabalho para engrandecer nossa história e a cultura”, disse o secretário, abraçado à professora Martha Rossi, que trabalhou muitos anos ao lado da professora Armanda, como sub-diretora.

Muitos amigos e intelectuais lá estiveram, como o presidente do Fórum Cultural da Baixada Fluminense, Carlos Caê; da diretora do Instituto Histórico da Câmara de Duque de Caxias, Tânia Amaro; e do diretor de Turismo do Município, Daniel Eugênio; além de jornalistas, poetas, professores e representantes de entidades da área cultural da Baixada.

Fonte: Prefeitura de Duque de Caxias

Texto: Josué Cardoso
Fotos: Divulgação

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Educação - Duque de caxias

Ainda há vagas nas escolas municipais de Caxias


A Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias ainda está aceitando inscrições para preencher as vagas nas 172 escolas da rede. São mais de 18 mil vagas que podem ser preenchidas até o dia 22 de dezembro. As matrículas podem ser feitas nas escolas-polo ou nas unidades escolhidas pelos pais. A confirmação será enviada, através de correspondência, entre os dias 10 e 14 de janeiro.

Crianças de até 4 anos podem ser matriculadas na Educação Infantil, através das creches, pré-escolas e escolas da rede municipal, de 6 a 8 de dezembro. As matrículas para o 1º ano podem ser feitas nas escolas-polo e a idade mínima é de seis anos e devem ser feitas de 10 a 17 de dezembro. Inscrições para vagas do 2º ao 9º anos do ensino fundamental e para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) podem ser realizadas nas unidades escolares que possuírem estes segmentos, entre os dias 20 e 22 de dezembro, obedecendo à disponibilidade de vagas em cada uma delas.

Entre os dias 10 e 14 de janeiro de 2011 pais e/ou responsáveis que fizeram inscrição para o 1º ano de escolaridade e foram contemplados, receberão correspondência informando-lhes a escola para o qual o aluno foi encaminhado e a data para efetivação da matrícula, que deverá ser feita entre os dias 17 e 31 de janeiro de 2011. São oferecidas três opções de escolhas próximas à residência de cada um. Maiores informações podem ser obtidas na escola da rede municipal mais próxima.


Texto: Nelson Soares
Site: Prefeitura de Duque de caxias

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Artigos


Nem todo problema de leitura e escrita é dislexia.

Alguns quadros de doenças mentais são bem definidos outros não.
Vários aspectos influenciam na aprendizagem. 

ilustração(Foto: Arte/G1)
Fazer um diagnóstico em psicologia ou psicopedagogia não é algo simples. O modelo da medicina, que após identificar e nomear a doença se administra o tratamento específico, é mais difícil de aplicar nessas áreas.
Como a expectativa ao se procurar um profissional da saúde é saber o que se tem, muitas pessoas entram em um consultório psicológico esperando obter uma resposta precisa. Algumas coisas podemos nomear e encontrar uma descrição na Classificação Internacional de Doenças (CID) ou mais especificamente no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM).
Nem tudo, porém, é possível quantificar ou dar um nome catalogado, que possa explicar o quadro de determinada pessoa e dar um direcionamento exato para seu tratamento.
Alguns quadros são bem definidos, como a depressão, por exemplo. Mesmo assim, para se fechar um diagnóstico em saúde mental pode se levar um tempo, até para o médico psiquiatra. Há muitas variáveis em jogo. Às vezes, numa mesma pessoa, encontram-se vários transtornos envolvidos.
Na área da aprendizagem isso também ocorre. Um dos quadros mais polêmicos é o de dislexia, que é bastante questionado. Toda vez que se procura por esse transtorno na literatura, o que se encontra (havendo concordância) é que ele se refere a um distúrbio da linguagem, envolvendo principalmente a habilidade leitora. Mais especificamente na decodificação de palavras isoladas.
Tanto no DSM como no CID, em suas últimas edições, ele é apenas citado dentro do transtorno de leitura. Há muitos casos de dificuldade de leitura. Até um tempo atrás qualquer problema dessa natureza (ou mesmo de escrita – habilidades que estão sempre de mãos dadas) era diagnosticado como dislexia. Os pais de crianças com dificuldades escolares chegavam para os psicopedagogos com o diagnóstico pronto, muitas vezes dado pelas escolas e reforçado pelos profissionais.
Se por um lado o estabelecimento de um quadro ajuda no tratamento, por outro pode cegar e apenas estigmatizar a pessoa em questão. Nem todo aquele que tem dificuldade na leitura e escrita é disléxico. Esse quadro é bem específico e de difícil diagnóstico.
Isso porque vários são os aspectos que influenciam os problemas de aprendizagem. Sejam eles de ordem física, social, pedagógica, emocional ou intelectual. Um quadro de dislexia, a princípio, descartaria qualquer outro problema que não a dificuldade de ler. Seria uma característica daquela pessoa, fazendo parte de sua constituição. Mesmo assim, alguém com dislexia, depois de anos de dificuldades, poderia vir a ter problemas emocionais, resultando em outras complicações na área pedagógica.
Por isso, dar um nome específico a um problema de lecto-escrita pode atrapalhar tanto o diagnóstico mais amplo, quando não podemos compreender a pessoa que ali se apresenta; quanto o tratamento, ao se enfocar aquilo que pode em verdade ser sintoma de alguma outra dificuldade da pessoa.
O mais adequado é um “diagnóstico” que privilegie fazer um entendimento do indivíduo em seus vários aspectos, considerando também seu ambiente social e escolar, que podem interferir em sua capacidade de aprender a linguagem escrita.
Às vezes, a conclusão que se chega nada mais é que uma inabilidade de lidar com grafofonemas, ou seja, estabelecer uma relação entre sons e letras, como um disléxico.
Em contrapartida, deve se tomar cuidado em não enxergar aquilo que está na frente dos olhos, como considerar uma dificuldade de ler como sintoma de algum conflito mal resolvido daquela pessoa na primeira infância. Ou seja, procurar algo que não existe.
Faz-se necessário ser muito criterioso para não cair nem no lugar comum, quando todo o problema de leitura é dislexia; e nem num enredo mirabolante, criando fantasmas.
Há poucas notícias sobre pessoas disléxicas. É muito provável que muitos casos que se encontram por aí receberam esse nome por terem dificuldades de leitura. Não dá para colocar tudo no mesmo pacote, como ocorre com o déficit de atenção e o transtorno de pânico (todo mundo conhece alguém que tem).
Os profissionais têm que deixar os modismos de lado e olhar para o ser humano real que se apresenta a eles. Daí, sim, eles poderão compreendê-los e ajudá-los de verdade.
(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

Fonte:G1.com